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quinta-feira, 12 de abril de 2012

                                          Espero em breve estar em condições de exercer minhas atividades!

MEU MEDO

Hoje pela manhã recebi meu primeiro lote de Ribavirina e de Interferon peguilado e, domingo à noite, começo o meu tratamento. Serão 48 semanas , e o medo dos efeitos colaterais é maior que o medo de ter HCV.
Conto somente comigo para essa missão e a apreensão é grande, a ponto de tirar o sono.
Já conversei com vários portadores de HCV, alguns nada sentiram durante o tratamento, outros tiveram reações das mais variadas, como cegueira temporária, confusão mental, agressividade e por aí vai...
Fui aconselhado por alguns a não fazer a aplicação, deixando isso a cargo de um parente próximo, pois na hora da mesma o "tombo é feio"
Espero que Deus tenha compaixão deste blogueiro para que eu não tenha reação alguma, ou que ao menos elas sejam leves.
Vamos em frente agora: dia escolhido, hora marcada e que a vontade de Deus seja feita.

FIBROSCAN x BIÓPSIA HEPÁTICA



O Fibroscan (elastografia transitória) pode substituir a biopsia hepática?


Conhecer o grau de fibrose em indivíduos infectados com as hepatites B e C é fundamental para determinar a progressão da doença e indicar a necessidade de iniciar o tratamento. A elastografia transitória, conhecida comercialmente como Fibroscan é um método não invasivo promissor para determinar o grau de fibrose, podendo na maioria dos casos substituir a necessidade de realizar uma biopsia do fígado. 

Estudo publicado na revista Liver International comprovou que existem diferenças no resultado apresentado pelo Fibroscan entre as hepatites B e C que devem ser levadas em consideração. 

No estudo foram incluídos 125 pacientes com hepatite B e 116 com hepatite C. Todos realizaram o Fibroscan e imediatamente a seguir uma biopsia, para efeito de comparação dos resultados. Todas as amostras das biopsias eram consideradas grandes, com mais de 25 milímetros. 

Nas biopsias foi relacionado o estágio da fibrose de acordo com a escala Metavir, a esteatose e o ferro. Fatores independentes, como sexo, idade, massa corporal, ingestão de álcool, níveis das transaminases, contagem de plaquetas, carga viral e genótipo também foram considerados na analise dos dados. 

Os resultados mostram que quando a fibrose é igual ou maior que F2, em 85% dos infectados com hepatite B e em 76% dos infectados com hepatite C os dois métodos, Fibroscan e biopsia, apresentam resultados iguais. Na fibrose igual ou maior que F3 a segurança nos resultados foi de 91% na hepatite B e de 87% na hepatite C. Na presença de cirrose (F4) a segurança no resultado foi de 90% na hepatite B e 91% na hepatite C. 

Os resultados de corte no Fibroscan, conforme o grau de fibrose, foi de 6,0 kPa na hepatite B e 5,0 kPa na hepatite C para os casos de fibrose igual ou maior que F2. Os valores para os casos iguais ou maior que F3 foram 9,0 kPa na hepatite B e 8,0 kPa na hepatite C. Na presença de cirrose o valor de corte no Fibroscan foi de 13,0 kPa para as duas hepatites. 

Após cruzamento e revisão dos resultados, concluem os autores que para o diagnostico de estágios de fibrose inferiores a F2 pelo Fibroscan, o resultado apresentado pode ser maior que a realidade, induzido pela inflamação. Para graus de fibrose iguais ou maiores que F3 o desempenho do Fibroscan é bom, tanto na hepatite B como na hepatite C. 

MEU COMENTÁRIO 

Realmente o Fibroscan consegue uma assertividade muito boa, podendo substituir a biopsia em muitos casos,. Por ser um método não invasivo e rápido de realizar pode ser repetido quantas vezes for necessário para acompanhar a evolução do dano hepático. 

Mas existem casos, a critério do profissional médico, nos quais a biopsia será sempre necessária, continuando a ser o padrão ouro na avaliação do estado do fígado. 

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Evaluation of transient elastography for fibrosis assessment compared with large biopsies in chronic hepatitis Band C - Verveer, Claudia; Zondervan, Pieter E.; ten Kate, Fibo J. W.; Hansen, Bettina E.; Janssen, Harry L. A.; de Knegt, Robert J. - Liver International, Volume 32, Number 4, 1 April 2012 , pp. 622-628(7) 


Carlos Varaldo

CONHECENDO A HEPATITE C

terça-feira, 10 de abril de 2012

HEPATITE C

RELAÇÃO ENTRE A DEPRESSÃO E HEPATITE C



Relação entre depressão e hepatite C


Pessoas com hepatite C têm mais chances de desenvolver quadros depressivos. É conhecido que o vírus da hepatite C pode afetar o sistema nervoso central em alguns infectados, mas será esse o principal culpado pela depressão? 

Muitos indivíduos alegres, sem maiores problemas de relacionamento social, quando recebem o diagnostico de "hepatite C crônica" mudam de forma substancial seu comportamento. 

Restrições com a alimentação, em especial com as bebidas alcoólicas, resistência a tomar medicamentos, medo do futuro, complicações naturais da doença, infinidade de exames, medo de transmissão do vírus, entre várias outras causas, levam alguns indivíduos a um quadro depressivo. Não é uma situação exclusiva que atinge somente os infectados com hepatite C, situação semelhante acontece nas pessoas quando são diagnosticadas com uma grave doença crônica. 

Quando na comunicação do diagnostico de uma doença pouco conhecida e sem maiores explicações por parte do médico é colocada à palavra "crônica" a maioria dos pacientes fica perplexo, associando a palavra crônica com a gravidade da doença que foi encontrada. 

Estando em acompanhamento ou tratamento da hepatite C a depressão contribui para um menor desempenho no trabalho, afetando o comprometimento profissional. Uma pessoa deprimida, ao igual que todo mundo depende do salário, assim, como as pessoas não deixam de trabalhar elas estarão no local de trabalho, mas por momentos é como se não estivessem presentes, não conseguem se concentrar, não conseguem produzir. Profissionais de relações humanas chamam isso de presenteísmo. 

A especialização da medicina trouxe muitos benefícios no tratamento das doenças, mas está sendo perdida a visão geral do ser humano. Um médico especialista no tratamento da hepatite C será que consegue diagnosticar corretamente sinais de depressão? Pode perceber pequenas mudanças no comportamento do paciente na vida social ou profissional durante os poucos minutos que dura uma consulta? 

É evidente que tratar a depressão resultará em um melhor tratamento da hepatite C. Um paciente com depressão certamente terá um menor cuidado com sua saúde e menor adesão ao tratamento, deixando de tomar os medicamentos nas dosagens e horários indicados. 

Pessoas com depressão geralmente escondem os próprios sintomas, até da própria família. Não sabendo como lidar com a mudança no comportamento, não procurando tratamento para a depressão, um círculo vicioso começa a engolir a pessoa. Muitas vezes a porta de escape se transforma em uma fuga da realidade levando o indivíduo para o álcool ou as drogas. 

O acompanhamento por um psiquiatra é fundamental para combater de forma eficaz um quadro de depressão. Atualmente existem medicamentos altamente seguros e eficazes para seu tratamento. 

Carlos Varaldo

domingo, 8 de abril de 2012

TRATAMENTO DA ESTEATOSE(GORDURA NO FÍGADO)


Tratamento da esteatose (gordura no fígado)


Atualmente a esteatose (depósitos de gordura no fígado) não causada pelo abuso de bebidas alcoólicas é uma das causas mais comuns de doença hepática crônica. 

Indivíduos com esteatose apresentam alta possibilidade de desenvolver co-morbidades, como hipotireoidismo, diabetes e síndrome metabólica. Na medicina é conhecida como Doença hepática gordurosa não alcoólica, representada internacionalmente pela sigla "NAFLD". Ela pode englobar conforme sua progressão e gravidade uma esteatose simples, uma esteato-hepatite (NASH), uma fibrose avançada ou uma cirrose. 

Não existem medicamentos para tratar a esteatose e as recomendações estão baseadas em alterações no estilo de vida, dieta para manter o peso ideal e atividades físicas. Medicamentos para reduzir a resistência à insulina podem ser receitados, mas os resultados são controversos. Outras abordagens de tratamento incluem dietas especiais e utilização de antioxidantes e hepatoprotetores. 

Antioxidantes e hepatoprotetores são considerados pela medicina como terapias alternativas. Um medicamento é um produto estandardizado, isto é, contém exatamente tantos miligramas de determinado principio ativo e como foi submetido a ensaios clínicos com milhares de pacientes se conhece a segurança e eficácia na utilização da dosagem. Já o se utilizar uma erva, um suco ou um chá é impossível se conhecer qual a quantidade de principio ativo que existe, por tanto o paciente pode estar ingerindo uma baixa dosagem ou uma super dosagem do principio ativo, isso impede "receitar" com confiança e segurança a utilização dessas alternativas, cabendo ao próprio paciente extrema moderação na sua utilização. 

Uma das alternativas mais antigas utilizada há mais de 2.000 anos no tratamento de distúrbios do fígado é o "Silybum Marianum" também conhecido popularmente como Cardo de Leite, Milk Thistle o Leberschutz, com estudos controversos sobre as propriedades hepatoprotetoras, antioxidantes, de redução na produção de radicais livres e peroxidação lipídica, na atividade antifibrótica e, na redução das enzimas hepáticas, na melhoria das células estreladas, na indução da apoptose de células estreladas e, ainda, na degradação dos depósitos de colagénio.


Cardo de Leite, Milk Thistle o Leberschutz

Mas todas as propriedades são controversas, pois a maioria dos estudos utilizou a propria planta o que impossibilitou a realização de estudos comparativos para confirmar os resultados encontrados. Atualmente já existe a silymarina na forma de medicamento oral e o silibin na forma injetável. Estudos estão sendo realizados e eles poderão dar comprovação, ou não, científica das suas propriedades. 

Assim mesmo, ante a falta de medicamentos específicos, a silymarina é a recomendação mais utilizada para indivíduos com esteatose não alcoolica. Mas de nada adianta a silymarina se o estilo de vida não for modificado. Em indivíduos obesos e/ou sedentarios a primeira recomendação deve ser dieta para conseguir uma redução do peso, evitar bebidas alcoolicas e a realização de atividades físicas aeróbicas cinco dias por semana com duração mínima de 30 minutos cada. 

A utilização da silymarina ou outros tratamentos alternativos pode ser benéfica, mas sempre deve ser um tratamento "complementar", nunca como único tratamento da esteatose não alcoolica. 

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Milk thistle for treatment of nonalcoholic fatty liver disease - Ludovico Abenavoli, Gabriella Aviello, Raffaele Capasso, Natasa Milic, Francesco Capasso - Hepatitis Monthly - 2011;11(3):173-177 


Carlos Varaldo